Dentro dos olhos, o futuro
Era um homem que ia levar flores
Hesitei até que a pequena curiosidade cotidiana conduziu-me até sua face:
não possuía aspecto fúnebre, como era de se esperar
Dotava - na realidade- de um certo ar de contentamento
Como se avistasse, dentro dos próprios olhos, o futuro
Parecia como alguém que já poderia, dessa vida, descansar
Era sereno, o olhar, era partido e já poderia repousar
Mas ele iria levar flores; e não plantá-las
Nos dói , a flor que é para sempre e sua perpétua beleza por ser tão bela em perfeição
Intocável, mas sem ousar comparação com as flores que são breves
Pois a infinitude é a propriedade do agora
Agarra firme, um apanhado de flores multicoloridas, como se estivesse segurando firme também toda uma vida
Se não largasse as flores, memórias também persistiriam
E lá se iam ,
as flores eternas
carregando um segredo maior do que se pode querer saber
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